Sou daqueles que participou na primeira etapa da primeira edição do Up and Down. Nestes anos que já leva de existência, o campeonato muito mudou. Algumas coisas para melhor, outras, talvez as mais importantes, para pior.
Para melhor temos o grau organizativo, o patamar competitivo, o número de participantes... Todos estes aspectos sofreram uma enorme melhoria ou aumento.
Por outro lado, temos vários aspectos que pioraram.
Lembro-me que, de início, um dos objectivos do campeonato era, essencialmente, promover a modalidade. Daí que existia sempre um passeio para aqueles que estavam a começar no btt, ou simplesmente queriam experimentar.
Este ano, simplesmente, o passeio não existe. Esqueceram-se da parte, essencial quanto a mim, da promoção da modalidade.
O nível competitivo cresceu tanto que, infelizmente, o ambiente que normalmente caracteriza os passeios e provas de btt, organizadas pelas inúmeras associações e grupos desportivos, perdeu-se.
Desde a simples má educação por parte dos atletas, até ao facto de se ignorarem os colegas que têm problemas, de tudo se vê. Chega-se ao ponto de provocar quedas por querer-se disputar o 132º lugar ou parecido.
As provas em si estão longe de apresentarem o ambiente que outras possuem. Muito bem, aceito isso. Até porque se querem transformar este campeonato em algo, apenas, de cariz competitivo, esse será o resultado aceitável.
Mas é pena. Se é verdade que o número de participantes parece continuar a aumentar, não é menos verdade que o tipo de participantes está a mudar radicalmente. Talvez se esteja a assistir uma troca daqueles que apenas se querem divertir por aqueles que suscitam problemas (como aqueles que já referi).
A verdade é que basta olhar para as camisolas das diversas equipas para notarmos que falta aqui muita gente que fez do Up and Down aquilo que é. Gente que talvez devia ser tida em mais consideração.
Dou alguns exemplos: Pessoal da equipa de Dão/Nelas, Associação Beselguense e os Troca Notas nem são vistos... Muito pessoal que não pertence a estas equipas mas dessas regiões, assim como o pessoal de S. Pedro do Sul, Tábua, Moimenta da Beira, entre muitos outros, também não são vistos. Onde anda esta gente, que marca presença em tudo quanto é prova?
Eu sou da opinião que não se revêm, como eu também não me revejo, no "pelotão" deste campeonato.
Já deram conta que os tópicos no fórumbtt de rescaldo das diversas etapas do Up and Down têm, manifestamente, poucas páginas por comparação com provas com o mesmo número de participantes?
Já repararam que são sempre as mesmas pessoas que lá escrevem, e que boa parte delas estão nisto desde o início?
Já repararam que a esmagadora maior parte das pessoas que participa no campeonato há menos tempo, e cujo objectivo é manifestamente competitivo, são os que menos dão ao campeonato em termos de divulgação e ambiente?
As provas, apresentam níveis de dificuldade elevados, são pouco variadas e os percursos não têm comparação com os das provas "extra" campeonato. Esta última prova em S. João do Monte é então o cumulo do que não devia ser o Up and Down, com um nível de perigo muito acima do que era desejável.
Não gosto do que vejo, mas também não gosto de criticar sem apresentar soluções, pelo que deixo aqui algumas sugestões.
Valem o que valem.
Para mim a promoção da modalidade deve estar no topo das prioridades, visto que provas com cariz competitivo há muitas, e até temos uma federação com campeonatos nacionais. Assim, os passeios deveriam ser, o quanto antes, retomados. Mesmo que não existissem inscritos essa opção deveria estar sempre presente.
Em termos de calendário sou da opinião que deveria ser adoptada uma de duas soluções.
Por um lado poderiam continuar com o figurino actual de organização de provas autónomas. Não é o meu preferido, mas pode melhorar muito.
No entanto, várias deveriam ser as alterações. Para começar, até ao final do ano deveriam ser entregues ao Inatel propostas de entidades (associações, grupos desportivos, câmaras municipais, juntas de freguesia, etc.) para organizarem uma prova. Estas candidaturas deveriam contar com um dossier onde constassem as condições reunidas, o tipo de percurso (já delineado na quase totalidade), etc.
No final, o Inatel deveria escolher as que lhes dessem melhores garantias de qualidade, respeitando os requisitos impostos.
Isto é o que se faz por exemplo no automobilismo. Quem dá as melhores condições fica com as provas.
Depois existe a via alternativa que proponho. Esta passa por escolher das provas que se fazem na região, aquelas que não tendo uma dimensão considerável, apresentam um nível de qualidade desejável para o campeonato. As organizações seriam abordadas ou poderiam abordar o Inatel de modo a candidatarem-se para realizar a prova. Todos ficavam a ganhar. O Inatel porque tinha uma entidade responsável por uma prova já com provas dadas, e a organização da prova porque veria o seu evento ganhar outra dimensão. Relembro, que já foi feito isto na Beselga, quando se aproveitou o passeio que era realizado anualmente para a realização de uma etapa do Inatel.
Estas são duas sugestões, mas mais poderiam ser dadas.
Acho que deveria-se falar com mais pessoas sobre o Up and Down, para além daquelas que apenas buscam os pontos da classificação. Abram o debate mas imponham também as ideias, não deixando que esses mesmos debates se centrem, unicamente, na parte dos pontos e pontinhos, partidas e grelhas de partida, como aconteceu anteriormente.
Isto se quiserem fazer deste campeonato algo abrangente, e menos elitista do que é agora...
Hélio Reis