Depois de um interregno de vários anos e a pedido de muitas famílias... voltei de lá, ainda agora lá estava e agora já estou cá...
Alguns meses e km de uso depois e dando continuidade a alguns posts de
análises e testes a que o nosso caríssimo colega Hélio Reis nos tem habituado, venho tecer algumas considerações acerca da burra que tenho à cerca de 5 meses…
Especificações Técnicas
Quadro – FOCUS Raven XC Full
Carbon MTB
Suspensão – Rock Shox Sid XX W.C.R RL 100 mm 15
mm thruaxle
Rodas – DT Swiss X-1600, Disc
Pneus – Continental Race King Sport foldable
2.2
Desviador frente – SRAM XX
Desviador trás – SRAM XX
Movimento pedaleiro – SRAM X0
40-28T 2x10
Manípulos mudanças – SRAM X0
Trigger 2x10
Travões – Avid Elixir 7 Carbon
Discos – Avid HS1 180-160 mm
Avanço – FSA SLK
Guiador – FSA SLK 31.8 mm
Espigão selim – FSA SLK carbon
31.6 350mm
Selim – Prologo Nago Evo TR Pro
2.0
Cassete – Sram PG 1050 11-32T 10v
Corrente – Sram PG 1051, 114
links
Pedais – Exustar PM 215
ANÁLISE
Quadro – Construído em fibra de carbono, transmite confiança e é
senhor de uma rigidez invejável… A sua estrutura é exímia na absorção de
impactos quando rolamos sobre uma superfície menos regular. Como acontece com
todos os quadros elaborados em compósito de carbono, a caixa do pedaleiro é
construída de forma volumosa não só para garantir o alinhamento do quadro
durante as acelerações mais pesadas mas também para alojar os sobredimensionados
rolamentos do sistema BB30. As escoras
inferiores têm um desenho rectangular para uma melhor transferência da potência
à roda traseira. Para mim é bem bonito mas a cor é discutível. Esta 3.0 apenas
existia em verde.
Geometria para o tamanho M:
|
Suspensão – A suspensão é um regalo para o rider e para os sentidos, absorvendo com rigor e precisão as
irregularidades do terreno, proporcionando confiança e transmitindo segurança,
levando-nos a empurrar constantemente os limites para lá do “aceitável”. O bloqueio
é hidráulico e o tubo de direcção cónico “tapered,
1/8 em cima e 1/5 em baixo”, que em conjunto com o desenho do triângulo
dianteiro onde o domínio de grandes volumes e diâmetros, conferem grande
rigidez vertical e lateral ao quadro. Não chega a pesar 1400 g (sem o bloqueio)
o que nos permite manobrar a bicicleta com um grande à vontade, ligeireza,
leveza e agilidade. Tem milhentas possibilidades de afinação e por incrível que
pareça uma pequena alteração afecta mesmo o comportamento geral da suspensão.
São precisos alguns kms e afinações até que se chegue à postura que nós
queiramos que ela tenha.
Transmissão – A SRAM tratou,
na íntegra, desta questão com honra e distinção e personalizou os componentes
com um toque esverdeado. A passagem das mudanças faz-se com muita fluidez, suavidade
e facilidade para o qual contribui o sistema “Power glide”, permitindo um andamento bastante regular e sem
grandes percalços. Não tenho muito a apontar em relação à transmissão SHIMANO que tinha anteriormente apenas
havia “como é natural” uma desafinação de vez em quando e que era facilmente
corrigida. O rácio da transmissão que tem de origem é um pouco violenta de mais
para as minhas pernitas onde a “avózinha” conta SÓ com 28 dentes à frente e SÓ
32 atrás (esta questão está a ser tratada com a mudança da cassete por uma SRAM PG 1070 11-36T e se não for
suficiente terei que trocar o prato pequeno da frente para um 26 com a
configuração 39-26T proposta pela Truvativ ou 40-26T dos franceses T.A. Spécialités,
mas julgo que a troca da cassete será suficiente.
Rodas – As DT SWISS X1600
são a meu ver rodas equilibradas que oferecem uma boa rigidez e torção lateral
quando são postas à prova em passagens rápidas, curvas apertadas e nas acelerações
mais violentas… O eixo frontal QR15
trás um pequeno acréscimo de peso que é perfeitamente compensado por uma rigidez
extra do eixo (trem) dianteiro. 1600 g parece-me um peso com um bom compromisso
com a fiabilidade, a meu ver 1500 g será o limiar a partir do qual já teremos
que ter em conta o peso do rider para
não comprometer a segurança e a construção das rodas. É claro que não me
importava de reduzir algum peso na massa rotativa e montar umas DT SWISS XRC 1250 com rolamentos
cerâmicos e a utilização do carbono na construção do aro (vou considerar isso
caso me saia o euro milhões duas vezes na mesma semana). Montados nestas rodas
vieram uns pneus Continental modelo Race
King na medida 2.2. Estes fazem parte do conceito de pneu de XC competitivo
avançado nos últimos anos pelos maiores fabricantes germânicos de pneus, pondo
de lado o ideal clássico do pneu ultra fino e excessivamente ligeiro,
introduzindo em seu lugar pneumáticos de elevado volume com tacos baixos mas
numerosos. Muito controláveis e conferindo um conforto inesperado numa hardtail de índole competitiva, isto em
terreno seco e rápido porque quando começou a chover e os terrenos a ficarem
enlameados e pesados este pneu não se revelou uma boa escolha para o trem
dianteiro. Para o substituir montei um Maxxis
IGNITOR 2.10 bem mais pesado e
menos confortável mas que cumpre muito bem a sua função parecendo nunca
alcançarmos o limite do pneu. Recomendo vivamente. Num futuro próximo está
prevista a conversão para tubeless e
assim facilmente tirar mais de 300 g de peso.
Travões – Os AVID ELIXIR 7
têm uma montagem “postmount” do disco
traseiro, permitindo um melhor suporte da pinça para reagir às forças geradas
durante a travagem e uma melhor protecção da pinça a tudo o que for agressão
exterior (paus, pedras, etc). O disco dianteiro de 180 mm parece-me algo
exagerado e desproporcionado no tamanho e peso (pelo menos para mim que peso
menos de 70 kg), pelo que está em andamento a troca por um ASHIMA Air Rotor de 160 mm. Poderei depois postar o feedback da
coisa… Os Elixir cumprem
perfeitamente a sua função sendo potentes, progressivos e permitem muito facilmente
dosear a progressividade da travagem. Nunca senti fadiga no conjunto mesmo
depois de algum tempo a descer e a serem castigados com poeira ou cobertos de
lama.
Selim – O selim da Prologo
foi uma muito agradável surpresa. Apesar de a início não gostar muito do
desenho, agora tornei-me fã incondicional da marca e não quero experimentar
outra (o SLR da Selle Itália sempre
esteve debaixo de olho mas deixou de estar). É muito confortável mesmo depois
de mais de 3 horas sentado nele. Apesar de não ter um desenho específico anti
prostático (com o típico “rasgo” a meio do selim), o seu desenho faz com que
sentados nele a parte que mais apoio tem são os ossos isquiáticos (do rabo),
deixando assim a próstata ligeiramente levantada em relação à linha do selim,
não havendo contacto, logo não havendo agressão.
No geral
É um
privilégio ter esta máquina. E isto acontece porque a compra foi feita no país
vizinho a preço de saldo, aqui no nosso belo país à beira mar plantado com a
carga fiscal pesadíssima que temos e afins seria impossível comprá-la.
Para mim
é uma bicicleta de sonho com um desempenho formidável em todas as situações.
Ainda equacionei comprar uma suspensão total “FSL” porque queria um pouco mais de conforto mas depois de poucos
km apercebi-me de que uma construção hardtail
em carbono consegue transmitir muito conforto absorvendo e dissipando muita
pancada e irregularidades. Apesar da sua geometria vocacionada para a
competição tanto está preparada para as pistas de XCO como para uma volta
domingueira descontraída e sem compromisso.
Aceitam-se sugestões, dicas, comentários
e correcções… :)
Força aí e toca a polir esses
cranks
Grande abraço
Marco Lopes












































